Empréstimo consignado CLT está liberando pagamento de R$ 7.065,14 via Crédito do Trabalhador; veja como pedir

O programa Crédito do Trabalhador, lançado oficialmente na sexta-feira (21), já movimentou mais de R$ 340,3 milhões em apenas cinco dias de operação. Segundo dados divulgados pela Dataprev ao Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), o valor exato liberado até as 17h de terça-feira (25) foi de R$ 340.327.823,67, por meio de 48.170 contratos de empréstimo consignado firmados por trabalhadores com carteira assinada.

A média de crédito por trabalhador foi de R$ 7.065,14, com uma parcela média de R$ 333,88 e prazo de pagamento de aproximadamente 21 meses. A nova linha de crédito, exclusiva para trabalhadores do setor privado, já contabiliza 8.704.759 solicitações e impressionantes 64.718.404 simulações, o que indica um forte interesse da população.

Um marco na inclusão bancária

De acordo com o ministro em exercício do Trabalho e Emprego, Francisco Macena, o Crédito do Trabalhador representa um avanço significativo na inclusão bancária. “Em cinco dias, já foram realizados mais de 48 mil contratos. São muitos trabalhadores acessando a plataforma, simulando e fazendo propostas de consignado. É uma inclusão bancária dos trabalhadores que estão, por meio da Carteira de Trabalho Digital, buscando crédito”, afirmou.

A expectativa do governo é ambiciosa: incluir 25 milhões de trabalhadores no sistema de crédito consignado privado nos próximos quatro anos, oferecendo taxas de juros mais acessíveis e promovendo maior autonomia financeira.

Como funciona o Crédito do Trabalhador?

O Crédito do Trabalhador é regulamentado pela MP nº 1.292 e está disponível para 47 milhões de trabalhadores com carteira assinada, incluindo empregados domésticos, rurais e contratados por Microempreendedores Individuais (MEI). A contratação ocorre exclusivamente por meio da Carteira de Trabalho Digital, seja no aplicativo ou no site oficial.

A partir de 25 de abril, a linha de crédito também poderá ser acessada nas plataformas digitais dos bancos, ampliando ainda mais a abrangência do programa.

Regras, garantias e prazos

Para obter o crédito, o trabalhador pode oferecer como garantia até 10% do saldo do FGTS ou até 100% da multa rescisória, mas também é possível contratar o empréstimo sem apresentar garantias. Com essas informações, as instituições financeiras analisam o risco e definem as condições da operação.

As parcelas são limitadas a 35% do salário bruto, já com inclusão de comissões e benefícios. O valor é descontado diretamente na folha de pagamento, via sistema eSocial, sem necessidade de autorização do empregador.

O MTE recomenda que os prazos de pagamento não ultrapassem 48 meses, embora não haja um limite legal fixado. A análise da margem consignável e do tempo de empresa também são consideradas na definição do valor máximo liberado.

Benefícios e vantagens do novo consignado

Diferente do consignado para aposentados do INSS ou servidores públicos, o Crédito do Trabalhador não possui teto de juros. Mesmo assim, os bancos têm oferecido taxas abaixo de 3% ao mês, o que representa quase metade do que é cobrado hoje em créditos pessoais tradicionais. Isso se deve, principalmente, à possibilidade de garantias com FGTS e ao baixo risco de inadimplência, já que as parcelas são descontadas diretamente na folha.

Outro diferencial importante é a possibilidade de portabilidade. A partir de 25 de abril, o trabalhador poderá migrar contratos existentes para essa nova modalidade, dentro do mesmo banco. Já entre bancos diferentes, a portabilidade estará disponível a partir de 6 de junho.

E se o trabalhador for demitido?

No caso de demissão, o pagamento do empréstimo será descontado das verbas rescisórias, observando o limite de 10% do saldo do FGTS e 100% da multa rescisória. Se o valor for insuficiente para quitar a dívida, as parcelas restantes serão suspensas temporariamente e retomadas quando o trabalhador conseguir novo emprego com carteira assinada. O valor será então corrigido e os descontos serão feitos pela nova empresa.

Como contratar o crédito?

A contratação do Crédito do Trabalhador é 100% digital:

  1. O trabalhador acessa a Carteira de Trabalho Digital (app ou site).

  2. Autoriza o compartilhamento de dados do eSocial com os bancos.

  3. Em até 24 horas, recebe propostas de crédito personalizadas.

  4. Escolhe a melhor opção e finaliza a contratação online.

Após o dia 25 de abril, os bancos também poderão operar diretamente em seus sites e aplicativos, sem a intermediação da Carteira de Trabalho Digital.

Dados protegidos pela LGPD

As instituições financeiras autorizadas (atualmente mais de 80) só terão acesso a dados estritamente necessários para análise de crédito, conforme previsto na Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). Esses dados incluem:

  • Nome completo;

  • CPF;

  • Tempo de empresa;

  • Margem consignável disponível;

  • Verbas rescisórias estimadas.

É possível converter CDC em consignado?

Sim. O trabalhador poderá procurar uma das instituições habilitadas para migrar um empréstimo pessoal (CDC) para o novo consignado, que geralmente oferece taxas mais vantajosas, desde que esteja dentro dos critérios exigidos.

Saque-aniversário do FGTS é compatível?

Sim. O trabalhador que já aderiu ao saque-aniversário ou antecipou esse valor nos bancos ainda pode contratar o consignado por meio da Carteira de Trabalho Digital. As operações são independentes entre si.

O que muda em relação ao antigo consignado privado?

O crédito consignado para trabalhadores do setor privado já existia, mas não era amplamente acessado. A principal barreira era a burocracia: o trabalhador só podia contratar com bancos conveniados à empresa, dificultando a competição entre instituições e o acesso às melhores taxas.

Agora, com o uso do eSocial e da Carteira de Trabalho Digital, qualquer banco poderá oferecer crédito a qualquer trabalhador formal com as devidas autorizações.

Potencial de crescimento do mercado

Em 2024, o consignado privado encerrou com um volume de R$ 39,7 bilhões. Para efeito de comparação, o consignado do INSS movimentou R$ 270,8 bilhões e o de servidores públicos, R$ 365,4 bilhões. Com a nova política, a Febraban estima que o crédito consignado privado poderá ultrapassar R$ 120 bilhões em 2025.

Saulo Moreira

Saulo Moreira

Saulo Moreira dos Santos é um profissional comprometido com a comunicação e a disseminação de informações relevantes. Formado em Ciências Contábeis pela Universidade do Estado da Bahia (UNEB). Com mais de 15 anos de experiência como redator web, Saulo se especializou na produção de artigos e notícias sobre temas de grande interesse social, incluindo concursos públicos, benefícios sociais, direitos trabalhistas e futebol.