5 coisas totalmente absurdas que já foram aceitas como forma de pagamento no Brasil e no mundo

Quando falamos em formas de pagamento, logo pensamos em dinheiro, cartão de crédito, Pix ou até criptomoedas. Mas acredite: já existiram situações no Brasil e no mundo em que as pessoas pagaram por produtos e serviços usando as coisas mais inusitadas que você possa imaginar. E não estamos falando apenas de moedas antigas ou escambo — a criatividade humana realmente foi longe.

Prepare-se porque, a seguir, você vai conhecer cinco formas de pagamento absurdas e hilárias, que vão fazer você repensar a próxima vez que reclamar da taxa do cartão de crédito.

1. Dentes de baleia: a moeda oficial de uma ilha no Pacífico

Sim, você leu certo: dentes de baleia já foram usados como moeda oficial em Fiji, uma ilha no meio do Oceano Pacífico. E não era qualquer dente, não! Estamos falando dos dentes de cachalote, a maior espécie de baleia dentada do mundo.

Naquela época, quanto maior e mais branco o dente, mais valor ele tinha. Eles eram conhecidos como tabua e até hoje têm valor cultural na região. Era comum que as pessoas usassem esses dentes para pagar dotes, trocar terras ou até selar acordos comerciais.

Imagine só chegar na feira com um dente de baleia para comprar um saco de arroz. A reação do vendedor hoje seria impagável!

2. No Brasil, impostos pagos com… galinhas!

No Brasil colonial, a falta de moeda oficial fez com que as pessoas improvisassem. E o jeito foi pagar impostos com aquilo que se tinha na fazenda: galinhas, porcos, sacos de farinha, feijão, milho… praticamente uma feira livre na porta da administração pública.

Os registros históricos mostram que esse tipo de pagamento era aceito porque o governo precisava arrecadar de alguma forma, e como o dinheiro era escasso, a solução foi receber produtos agrícolas e animais para, depois, revendê-los.

Era como se, hoje, você pagasse o IPTU com dois frangos caipiras e uma saca de batatas. Parece engraçado, mas para a época, era a forma mais prática de manter a economia girando.

3. Pedras gigantes como dinheiro em Yap, na Micronésia

Agora imagine pagar por algo usando uma pedra enorme que você nem consegue carregar. Pois isso aconteceu na ilha de Yap, na Micronésia. Lá, as pessoas usavam pedras chamadas Rai como moeda. Algumas tinham até quatro metros de diâmetro e pesavam toneladas.

Mas ninguém saía por aí arrastando uma pedra para pagar a conta, claro. O valor era simbólico: todos sabiam de quem era cada pedra e, quando a “moeda” mudava de dono, todo mundo ficava sabendo.

É como se, hoje, você transferisse um carro para outra pessoa, mas o carro continuasse na sua garagem. Estranho? Sim. Mas para eles, fazia todo o sentido.

4. Cigarros viraram dinheiro durante guerras

Nas duas Grandes Guerras Mundiais, o cigarro não era apenas um vício: era uma moeda de troca valiosa. Soldados e civis usavam maços de cigarros para pagar por alimentos, roupas e até serviços.

Na época, a escassez de recursos era tão grande que qualquer item com demanda alta podia se transformar em dinheiro. E o cigarro tinha ainda outra vantagem: era fácil de dividir (um maço podia valer um prato de comida; um cigarro sozinho, um café).

Esse tipo de pagamento ficou tão comum que chegou a incomodar as autoridades, já que ameaçava a moeda oficial. Mas quem vai discutir com um soldado com fome, não é mesmo?

5. O caso bizarro do sal como salário

Se você já ouviu alguém falar que “fulano ganha um salário”, saiba que a origem da palavra vem do sal. Sim, o sal que você usa para temperar a comida.

Na Roma Antiga, o sal era tão valioso que parte do pagamento dos soldados era feita com ele. Afinal, era essencial para conservar alimentos antes da invenção da geladeira. Daí veio a expressão salário, que usamos até hoje.

Imagine explicar para alguém do passado que, no futuro, as pessoas trabalhariam em troca de números que aparecem em uma tela de celular. Provavelmente, eles iam achar isso tão absurdo quanto nós achamos ganhar um saco de sal como pagamento.

Por que essas formas de pagamento faziam sentido na época?

Pode parecer loucura usar dentes de baleia, galinhas ou sal como dinheiro, mas, na verdade, tudo isso tinha uma lógica. Antes da padronização das moedas e da criação dos bancos, o que realmente importava era o valor que as pessoas atribuíam às coisas.

Se uma comunidade inteira concordava que uma pedra valia mais que outra por ser maior ou mais rara, pronto: ela virava uma moeda. O mesmo vale para produtos como sal ou animais, que tinham valor de uso e eram escassos.

O dinheiro, como conhecemos hoje, é apenas uma evolução desse conceito. E pensar nisso faz a gente perceber que, no fundo, o que mantém uma moeda “de pé” é a confiança coletiva de que ela vale alguma coisa.

E hoje, qual seria o equivalente moderno?

Se você acha estranho pagar com dentes de baleia, imagine alguém no futuro descobrindo que nós usamos criptomoedas— dinheiro totalmente digital, sem formato físico, baseado em códigos de computador.

Provavelmente, eles vão achar tão esquisito quanto achamos as pedras gigantes de Yap. Mas, assim como antes, o valor está no acordo social: se todos acreditam que aquilo tem valor, então funciona como dinheiro.

E, convenhamos, tem coisa mais surreal que pagar milhões por uma imagem digital única, como acontece com os NFTs? A história só mostra que a criatividade humana para inventar dinheiro não tem limites.

Outros casos curiosos pelo mundo

Além dos cinco exemplos que já falamos, há outros bem interessantes:

  • Chá na Sibéria: Durante séculos, tijolos de chá comprimido eram usados como moeda em partes da Ásia. Serviam para pagar e, claro, para beber.

  • Conchas no litoral africano: Conchas marinhas, especialmente as chamadas “cauris”, eram tão valorizadas que chegaram a ser usadas como dinheiro em várias regiões da África e da Ásia.

  • Cacau na América Central: Povos como os Maias e Astecas usavam grãos de cacau como moeda. Para eles, o chocolate valia ouro — literalmente!

Esses exemplos mostram que praticamente qualquer coisa pode virar dinheiro, dependendo do contexto histórico e da utilidade para as pessoas.

O que aprendemos com tudo isso

Olhando para esses casos, percebemos que o dinheiro é uma invenção humana baseada na confiança e na necessidade. O que hoje parece impensável, no passado podia ser a solução mais lógica para manter a economia funcionando.

E quem sabe, no futuro, novas formas de pagamento surjam que vão fazer os nossos cartões e apps bancários parecerem tão estranhos quanto galinhas e dentes de baleia parecem para nós agora.

Saulo Moreira

Saulo Moreira

Saulo Moreira dos Santos é um profissional comprometido com a comunicação e a disseminação de informações relevantes. Formado em Ciências Contábeis pela Universidade do Estado da Bahia (UNEB). Com mais de 15 anos de experiência como redator web, Saulo se especializou na produção de artigos e notícias sobre temas de grande interesse social, incluindo concursos públicos, benefícios sociais, direitos trabalhistas e futebol.